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NUDEZ ABSTRATA

nua,
as formas do seu corpo,
nos contornos abstratos da coberta
quase fantasma
desveste a vergonha,
de olhar circunflexo,
pronta para se mostrar inteira
de braços abertos
sem crucifixo nos seios.
... a forma do seu colo
me acostumou ao forno do seu peito
como se amante e companheira me agasalhassem.


nua,
seu corpo sob o branco,
dos cheiros acostumados a provar
a ponta molhada dos dedos
em tanto molho tártaro,
a calcinha molhada
inocente como a infância
de pernas abertas
na casca da amarelinha.
... o sorriso sem passado
me devolveu a traquinagem ausente
como se namorada e menina em mim brincassem.


nua,
o desenho sobre a pele,
abrasada nesta tez tão amiga
desvestida da tatuagens
de outros amores,
a identidade dos dedos
de toques bem-feitos,
vadios e passageiros,
ardeu na chama eterna.
... o fogo do só corpo
consumiu a chama e as silhuetas,
como se mulher e puta delicadamente enfurecessem.


Desperta para a noite,
como quem deita sem perplexidade,
a despida e a amada se acamam lado a lado
para amarem nuas, morrerem nuas e nuas dormirem.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 03/05/2005
Código do texto: T14438
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho