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MEDUSA



Tenho um sapato no peito
e um coração que anda;
tenho nenhum jeito
de te servir a janta...

Onde é boca ponho palavras,
que fosse teu ninho ponho casas,
onde fosse velas de acender
ponho-te mares de perceber...

Descasco a miúda uva e te vinho
pois dois copos encho e, sozinho,
espero as pêras e espero vê-las
no charco melado das abelhas...

O verde inseto, será que incomoda,
ou o olho desperto tem a porta
da natureza do seu corpo colibri,
doce e tanto maduro caqui?

Tenho vestigios de tuas pegadas
e o degelo são ostras desalmadas
pois que nuas brilham ferinas
em tua pele de variáveis meninas...

Tenho a cicuta para antigos gregos
e um palco-divã para novos medos;
feito medusa em trêmulo caledoscópio
tocas meu polvo em polvoroso cio.


Preto Moreno


Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 24/04/2006
Reeditado em 24/04/2006
Código do texto: T144409

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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