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MULHERES MADURAS, AMORES VERDES

Amadurece a fruta
e quase cai,
de tão madura
o sumo escorre,
se esvai.
Madura,
nem sempre pronta
pra ventos e golpes,
sacode no galho,
fere a pele,
corta a carne,
madura demais
e quem colhe e escolhe
nem sempre consegue
entender o forte sabor,
e, distraído, se vai.
Madura no amor,
regada por dor,
por falta de tempo,
de vontade ou 
quem sabe, ainda,
verde de idade,
quem colhe e escolhe,
desiste e se vai.
Muito madura
é forte demais:
é preciso uma boca
pronta pro gosto,
paladar apurado,
senão é desgosto.
De novo,
quem colhe, não sabe,
escolhe demais
e de medo, se vai.
Madura a mulher,
amores verdes.
A fruta se perde,
ou cai numa rede.
Cadê sua boca,
que é de sua sede?
Tua gana é pouca,
teu amor é arremedo.
Se não tens a boca
não tens o segredo.
Esqueça essa fruta,
se afogue em teu medo,
Amores verdes,
mulheres maduras:
não combinam em nada.
Duram talvez
pequena chuva,
uma pancada,
e em seguida,
poeira de estrada.





Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/04/2006
Código do texto: T144466

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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