Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

FadasSem Véu

Medito indiferente sobre o vazio das coisas:
procuro ,a cada momento, uma entrada que poucos possuem, poucos cedem e avaliam com desdém.

Mas são,antes, escadarias,vãos cirscunspectos,lascas de maeira
à solta,
rodeando homens e mulheres.

Eu cá, no meu canto ocioso, tento entendê-los- e como tento
penetrar em meus próprios sentimentos:
nada encontro senão bares e homens
vazios - transnoites - a procura de mechas de
felicidade - essa incrível bola de neve forjada em aço
que nos anseia.

Nada encontro.À noite cai serena e vejo homens cansados
de si mesmos se rodearem a procura de algo que lhes falta.
-Mal sabem eles - que tudo o que procuram - já não
está mais ali.

As fadas fugiram prá outro mundo!

Eles procuram a felicidade nos outros, não em si mesmos,
a meditação que fazem é dolorosa
a meditação que procuram é fragoroso de desprazer.

Queria lhes dizer !
Mas quem conhece todo mundo?
Quem conhece alguém nesse mundo tão corcunda!

Eu mal me conheço e sei de meus passos,
Mas como vou penetrar no espírito dos homens
para fazê-los sorrir, sem angústia e com
paz imorredoura?

Assim, passam-se as horas e o tempo
acaba por terminar:
Os homens são infelizes e vazios
-aqueles que me deparo -
porque o mundo ficou sem sentido,de repente!

Por mais que tenha luzes e rebuscas,
avenidas, onde néons atrativos pelicam os céus,
nada será encontrado do que mais solidão.

E eu no meu canto, atravessando à beira mar
vejo sem encanto o desespero dos homens
que aprenderam somente a andar
mas não conseguem descobrir, nem um pouco,
do que é amar!


*

 " Lasciva noite de sonhos, ondem paredes de cor anil se misturam a gritos e pessoas sem rumo. Perdida noite de insônias onde pássaros se afuguentavam em ninhos supostos de calor, onde flores murchavam, com pendem os homens mortos. Gritos e ânsia de correr; de procurar outro mundo.

e inventar uma paz moradoura e amiga que afagasse meus ouvidos com palavras doces de avelãs e corridas de mel. Corro por entre vãos e clareiras, ultrapasso montanhas impossíveis e cáusticas prá lá da Costa de Zambaia.

Ouço vozes, mas não são para mim que habito ao lado - um quarto miúdo de uma porta - uma saída - onde ninguém passa, nem para entrar, nem prá sair. Sou do Ouvidor, da vila de antiguidades, das charretes polutas e lavadas, dos homens formados de terno de brim e gravatas soleiras.

Sou desse tempo e por lá fiquei, pois as vozes que me batem, vêm de lá.Lá onde meu amor, tonto, morreu sem voz,sem paz, porque o destino quis. E ai, encrenco! Que destino faz isso, que nos leva tudo e só nos deixa um lenço de cetim prá chorar?"
José Kappel
Enviado por José Kappel em 25/04/2006
Código do texto: T144859
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
2147 textos (26784 leituras)
1 e-livros (125 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 02:27)
José Kappel