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BANCO DE BEIJOS



sim, fui eu.
Penetrei no labirinto escuro da Casa das Salivas
e roubei todos os beijos que porventura dariam
daqui para a frente.
Um a um, coloquei-os num frasco invisível
e saí como se não estivesse levando nada.
E tomei como sina
a tarefa de colocar os beijos
nos lábios dos mentirosos
e nas faces das meninas.
O beijo do soldado foi cair em cheio
no rosto do frade que protege foragidos;
o beijo da lavadeira
escorreu lento pela face
do político que vocifera besteiras;
o beijo de vingança da prostituta abandonada
foi enviado à uma senhora de um bairro aqui perto
que tem medo de sexo
e sonha com um tarado;
Sim, aquele beijo que você procura nesse papel
ainda será entregue,
mesmo que você negue,
que você não queira.
O beijo que liberta os instintos
enviei, não minto,
à quem proibe a ventura do nu,
para quem tem outra face, não aceita o crú
corpo que ondula dentro do vento,
para quem faz da algema seu objeto de sustento,
ao homem que envia ordens e não cumpre nenhuma,
para a mulher que acaricia primeiro
e depois crava as unhas.
Restou um:
Aquele que te dou sem interesse algum.

Preto Moreno


ao


Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 25/04/2006
Código do texto: T145081

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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