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Alvoroços em Chamas

Com sinceridade de
gente bem apessoada,
com sinceridade morna
de pessoa bem gabaritada,
olhos nos olhos
e só vejo vazio.
Pena, tinha tudo para
dar certo,
mas deu vazio !
Com toda minha sinceridade
e aprumo de idéias e
volúpias de sonhos,
penso no que seria se desse
certo.
Mas não deu.
Cada um foi prá um lado
ela preferiu escaldar-se nas
montanhas
e eu fui calvagar
nas pradarias.
Duas coisas tão distantes
que dá medo só em
pensar que sinceridade
não é tudo na vida.
É verdade!
Se começou bem
acabou mal.
Tudo porque não gostávamos
um do outro.
Coisa simples de resolver
como calvagar num belo potro.
Mas ela não quis assim,
quis fugir
prá bem longe ela foi
prás montanhas da
vida, se arrumou.
E foi vender seu prazeres
nas largas avenidas
do Deus dará.
Lá onde onde os homens
compram e vendem no
mercado das almas.
Foi tudo muito simples:
um dia ela parou de
amar
e eu parei de gostar.
Resolvemos emudecer.
resolvemos nos tornar
meio humanos
meio atordoados.
Ela foi para um lado
e eu me pro outro.
A história é simples
Se eu não fosse gente
de gostar até o fim.
Foi minha estrepolia.
Comecei a sentir falta
dela
e ela
nenhuma falta de mim.
Fiqei sozinho, como
uma estrela perdida no espaço.
Com toda sinceridade,
nem ficou amizade!
Coisas do dia-a-dia!

*

Tenho dois alvoroços,
um pêndulo de medir
o tempo,
e uma régua distante
para medir o
quanto falta.
Os dois são coisas
queridas minhas
e a elas prezo com carinho.
Com esse material de boa
qualidade e assaz
prosperidade de idéias,
posso sentir o que
se passa no tempo.
Hora sou homem de um passo
ora de vários e cansativos
quando procuro coisas e
não alcanço, mais de vários metros.
Mas não me avexo
sou homem capaz
de idéias e fugas
de sentimentos.
Tudo por causa dela!
Fui meter meu todo
amor em seu pensamento
e acabei me dando mal.
Ela não me quis mais.
Assim,
munido de metro,
e outros materiais
de pura matemática, que calcula
ângulos e dores,
posso dizer com sinceridade,
Daqui pro meu fim do mundo
faltam dois centímetros
e prá minha morte,
hora e meia,
se continuar nesta angústia
de nadar no vazio
e medir a distância
de uma estrela prá outra.
E direi eu: só entende
essas história malfadas
de ânsias
são os deuses,
que moram mais longe:
do outro lado do meu corpo!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 26/04/2006
Código do texto: T145509
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel