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PINTINHO DE CHOCADEIRA

Oh, pintinho solitário!
Sem o calor do amor.
Como milhares de outros
que a gana humana gerou
apenas com a intenção
de gerar bens de valor.

Sois, pois, uma aberração
que a máquina fria criou
como criou tantos outros!
Com o seu frio calor.
E te dando como salário,
a prisão. O desamor.

Mas... que pagamento é esse
se, de mal, nada fizeste?
É a ganância do homem
que da Natureza esquece,
só pensando no que dá lucros,
no que a ele enriquece.

É que o homem, maluco
que é, cada vez mais desce!
Esquecendo o seu ser - que some
sob o não-ser, e fenece.
Subjugando-se às riquezas,
ao seu espírito empobrece.

E torna-se um ser sem amor,
sem fé e sem compaixão,
cego que está pela fome
de poder e dominação.
É a ganância que o transforma
em um "saco" de ambição.
-
Eu sei que estou sonhando!...
Mas, o homem só será feliz
quando, de si, arrancando
esse mal pela raiz,
deixar que lhe vá... tomando...
O BEM, que ele sempre quiz.

E o pintinho de chocadeira
voltará a encontrar
a sua mãe verdadeira.
O seu verdadeiro lar.
E a sua vida inteira
ele viverá a cantar.

Levará vinte e dois dias
para que venha a nascer,
debaixo da mãe - que espia
o ovo a amadurecer.
E que, ao nascer, ela o cria,
vendo-o, aos poucos, crescer.

E com amor, com carinhos,
sob os cuidados de quem
nada deseja! E, no ninho,
dá todo o amor que tem
para chocar seus filhinos
sem pensar no "valor" que têm.

 
 
Por: Rosa R. Regis - Natal/RN - 2001
(ao, numa caminhada matinal, passar defronte a uma gaiola
com pintos récem-nascidos expostos à venda)
 
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 26/04/2006
Reeditado em 07/09/2011
Código do texto: T145899
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Regis
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 67 anos
383 textos (153720 leituras)
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:42)
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