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partitura de letras

PARTITURA DE LETRAS [sou - s/ou]

um
daqueles que se esquecem de estar calados
gosto de ler os poetas que deixam fluir
as suas palavras num diálogo consistente

dois
com o silêncio da escrita e a música
dos sons representados nos seus gestos
divinos de divas e cantores dum canto

três
onde o prazer se representa nos actores
mais impressionantes da criação dramática
quando formam o público interveniente

quatro
cada leitor capaz de sentir as palavras
como coisa sua assim partilhada nossa
ouça toda a composição deste poema

cinco
um número onde numero as estâncias
enchendo as mãos a contar as sílabas
u_ma por u_ma, por du_as ve_zes...

s/eis
isto durante apenas o último verso
contando tercetos meia dúzia de vezes
até acabar a minha partitura de letras

{Possa o poema ser lido como um texto onde o leitor encontre o leito da poesia para seu deleite, sem ter de prender-se num excesso de referências: literárias, linguisticas, semânticas, sintácticas, fonéticas, estéticas, todas as que possam contribuir para teorias poéticas. Uma partitura onde seja intérprete do instrumento simples da sua compreensão da língua e saborear o prazer do dizer: lendo como se estivesse a ouvir, e que o possa fazer construindo todas as teorias que eu disse não serem necessárias. Mas, são como saias que quando são despidas e dão a ver o corpo até aí velado, dão o corpo revelado, não o deixando passar ao lado...

Acabei de escrever comentário em "súbdito instante", escrevendo súbdito instante...}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 27/04/2006
Reeditado em 27/04/2006
Código do texto: T146304
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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