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DESPEDIDAS INEVITÁVEIS

Há um momento na vida
em que se entra, inconsciente,
num processo de despedida.
Começa-se a despedir-se de tudo
tão pronto quanto aconteça.
É um despedir-se, assim, meio mudo,
emblemático e reflexivo,
que nada fala, muito embora diga tudo,
como a não querer coisa outra,
além de dizer adeus
e depressa ganhar estrada.
Despede-se sem um aceno,
ou mesmo sem um olhar,
já triste pela saudade
que se sabe, vai chegar.
Como chega a manhã
carregando no ventre
a saudade da madrugada
e, contraditória, a semente
da tarde ensolarada.
E a gente se despede,
meio sem se dar conta,
a gente des-pede a permanência,
por que já se sabe inútil
a tristeza, a coerência.
As coisas mudam e passam, eis tudo.
E a gente sabe que tem que se despedir
desta certeza também.
Há um momento na vida
em que a gente se despede
até e principalmente,
 da própria despedida.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 04/05/2005
Código do texto: T14680

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154018 leituras)
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Débora Denadai