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Festa da Solidão

Se passa,passa ao longe,
é porque despreza,augusta,
soberana,loquaz,de panos quentes
e ardidos, vestidas de cristais
que brilham já ao longe.Desprezo!

Se me passa, passa ao longe,
se vê, finge que não.
Não há tempo a perder,
e se ganhar, sorve o ponche!

Se me lembra,
lembra mal:
de papel de fundo,
de castiçal à mão,
robusta,
é um amor de sem alma.

Se me lembra
lembra só
caminhos distantes.

E a fogueira da vida
queima e arde no corpo
partido!

Me conhece e me despreza,
não me diz, mas sei,
que ao longo deste tempo,
alguém mudou pro longe.

Não conquistei,perdi
o que não achava, achava
que eram dois,
mas eram dois lados
de muro de cimento branco.

E por dividir,
divia nós dois.
E por perder,
perdemos nós dois.

Na mágica da vida,
hoje você tem,
amanhã você sonha.

Nisso não tem matemática,
é só a mais profunda dor
de ver carvalhos tombarem
no fim do dia,
num dia sem fim,
no fim dos meus dias.

É uma festa de solidão!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 29/04/2006
Código do texto: T147192
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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