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Ponte Nobre de Vazios

Sou ponto nobre,
com atendimento especial,
consulto meu lar de palha
e nado nas florestas ao largo.

A floresta é densa e cheia
de medos aparentes;
tem sua afirmação de sol
e de lua.
Mais tem nódoas de vazios!

É lá que eles descansam,
enquanto os homen depuram
em violentá-la a golpes medidos,
sem coração.

Se meu corpo se faz na floresta,
é porque sou aindo escuro,
não persigo o sol,
e vivo em brumas,
e lembranças dos
mal-partidos.

Minhas horas são como
sua mais profunda densidade;
meus minutos, eu passo
entre o soberbo da negritude
e da esperança que alguma coisa
nasça. em plenitude.
Mas nada que seja de aço!

Mas desta amplidão não dá nem frutos,
nem esperanças,
nem comodidades de estrelas.

Tudo é vago
e zonso.

Se estou perdido na floresta,
estou perdido
dentro de mim.

Se estou perdido,
sou uma folha melaça,
esvoaçante, que voa sobre
suas copas.

E se não me encontram
é porque já sou vareta
de açoite.

E dizem: "os dias já passaram",
como oito vezes quatro,
direto e incisivo,
não faz alarde,
e vive sem acalanto.

Desta floresta
eu não saio mais.
Ela fez de mim sua sombra,
me invadiu com ramos folheados.

De mim tirou o sol,
de mim tirou sonhos.

Hoje, vesgo por entre seus galhos,
e digo sinto muito,
fui uma vez, prá nunca mais ser,
vivi uma vez,
prá morrer em vida
sem nascer.

Sem nascer,
e é prá duvidar?
Se ninguém aparecer,
vou me coroar,
rei da floresta sem dono,
rei do vago e de dor espairecer!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 30/04/2006
Código do texto: T147719
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel