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Onde Mora o Desalento

Ah! Se me contassem, antes,
como seria travessa essa vida,
talvez por piedade,
ou angústia de porta,
me prouvesse de tal encanto,
de saber como viver
mas de não saber morrer.

Turbulento, insidioso,avesso,
buliçoso, traquina e treloso,
lugar que brotam meus
espinhos e são
astuciosos, redado à malicia,
igual a um dia manhoso.

Repouso, tenho o bastante mas,
não tenho reservas,
nem falsos paraísos,
nem perdulária esperança,
de encontrar novamente
o início de tudo,
o embrião de lembranças.

Não tenho sinais de alertas,
não tenho navios de proa.

Sou jactância dos medrados!
nem meus capitães de bombordo
ainda existem, pois perderam o acordo,
que trás à vida e a arrenda à morte.

E por isso, minha vida é um sermão
interior e sem horas, mas é,
deixei de fazer o que queria
prá viver a vida de ninguém.

Vivi neste sonho durante anos,
sem pestanejar, sem meditar,
estava caindo no buraco mais fundo,
estava me debruçando no penhasco mais
temeroso!

Hoje, sozinho, nem sei mais dela.
Sei que vive do outro lado de
meu mundo;
sei que não é mulher de lembranças
e por isso, relaxa no abraço.

Hoje, sozinho, me arrependo
do que não fiz
e, mais, do que fiz:
fui broca passageira de furar
o largor do tempo,
nem sempre de afagos
da vida que nos dá,
e depois nos toma.

Falar dela?
Perca de tempo!
Viajou bela,
lá pro fim das lembranças,
onda moram os desalentos !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 30/04/2006
Código do texto: T147720
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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