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Velejando Pelo Tempo

E bate cinco com soar de ferro,
e bate cinco e me acolchôo nos
batentes do banco,
naquele dia ensolarado.

Cinco pra chegar, cinco pra
não vir.

E vêm chegando o toar de horas,
ao longo, um batalhão de rapazes;
ao vistal, um grupo de rapazes.

Elas,de saias meiadas em azul-marinho
de meias chocalhadas de branco-puro,
elas, a vida da cidade sem pátria mas,
sempre às cinco, nunca antes
ou depois.

Vêm chegando a hora:
todos se abraçam e beijam
eternizando agonias.

Vêm chegando a hora,hora
das cinco - iguais à velejadores,
os rapazes deixam os bares
que, às vezes, aleijam!

Fui eu de desespero,
sem causa própria,
sou senil,
e passei das horas.

Mas também sei que,por
demias vazio,
do outro lado daquelas portas,
que marcam horas,
minha sombra afaga uma
e rejubila a próxima -
minhas damas solitárias
de companhia.

E se você já passou dos cem,vai saber,
que em tudo há hora,
e uma hora até pra morrer !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 30/04/2006
Código do texto: T147729
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel