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Reis do Nada

Me esguio entre
as gentes do
meu povo,
corro seus casebres
e só encontro
encantos de misérias.

Lavo as mãos, pois de
nada sou dono,
mas singular companheiro
dos acasos da vida,
que me perguntam
como é ser rei.

E eu digo,espamado,
que o metro
que mede minha distância
de vazio e solidão,
é a distância que
mede o povo
com a glória dos reis.

Somos sós,
sem nome,
e fardados de meia-pátria,
que corremos com a bandeira
rasgada.

Somos depósitos de tulha
e milho,
mas nunca deixamos de
ser crianças-doces!

O choro nosso é mais forte,
um, mais do que o outro,
pois somos visita
no paiól de armas.

Onde a vez dos perdidos
a voz trimbrada dos sós,
só revive a coragem
à bordo dos castelos
de bares avulsos,
que nos assola
e nos convence,
que partir uma vez,
não é partir para sempre!

Somos reis do lago,
reis dos tempo,
colosso dos mares,
donos dos bares
e sombreros homens;
cultivados pela solidão
do tempo que,
por mais sejam anos,
não acaba mais!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 01/05/2006
Código do texto: T148255
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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