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INSTINTO

Carrego minhas crias,
Aprendi com os primatas
Trazê-las agarradas ao corpo meu.
Assim me sinto mais bicho,
Assim me sinto mais animal: criatura,
Daquelas que foram feitas para vagar
Sobre a terra e dela retirarem o essencial
Para, em altas horas, alçarem vôos infinitos
E, de tempos em tempos, voltar a colocar seus pés sobre a Terra
E procurar por aqueles que, comigo, voaram para lá.

Carrego minhas crias
Agarradas no meu peito
Porque sei o que foi feito para têlas novamente comigo.
Elas, lampejos de infinitos,
Pássaros afins que insistem
Em me acompanhar da terra ao céu
Nessas minhas idas e vindas,
Vôos de pura vertigem,
Eu que pensava que ninguém ousaria...

Por isso,
Carrego agarradas ao corpo meu
As minhas crias.
São elas os meus espantos cósmicos,
As minhas surpresas trazidas do infinito,
Minhas aves companheiras
Neste vôo absurdo.

Trago-as assim,
Agarradas em mim,
Porque neste elemento só tem sentido
Quando o faro cheira e identifica
A alma que há no corpo de sua cria.

Quem sabe um dia
Não ache eu o mesmo porto
Para ouvir catarem um acalanto
Diante do meu espanto
De estar de novo rebento sobre a Terra?

Quem sabe não ouça de uma delas
Uma voz serena, em meio à vertigem da descoberta,
Chamar-me de filho e aconchegar-me,
Eu o velho viajante das estrelas,
Num peito, num colo carinhoso,
Num momento tão frágil?
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 01/05/2006
Código do texto: T148738

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
246 textos (31056 leituras)
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Chico Steffanello