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CÃO ACORRENTADO

Abra logo a porta desta gaiola
que tu mesmo construístes.
Arranca toda tranca, joga tudo fora,
nada te serviu, tu mesmo o vistes.
Escancara o teu peito ao vento,
joga fora as cordas que te amarravam:
tanta moral, tanto juízo e julgamento
só serviam quando ainda te atavam.
Troca as roupas que a moda te ditava,
esquece aquela música, que está gasto o disco,
ao diabo as regras que de fora te gritavam,
vá ver outro filme, que este já está visto.
Desamarra as cordas que te seguravam,
pensa por você, deixa o que te ensinaram,
a receita é velha e não serviu pra nada,
nem mesmo para os que a criaram.
Vá para o outro lado que tu não precisas
reviver aquele cão amordaçado.
Abre as janelas da tua alma,
deixa a vida com algemas,
corre pro abraço,
 sem perder a calma,
deixa os teus temores,
cura tuas dore
 e leva apenas
garra e vontade.
Passe pro outro lado
que tu não és mais
aquele cão acorrentado.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 05/05/2005
Código do texto: T14896

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154033 leituras)
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Débora Denadai

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