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NAVEGADOR

O barulho dos teus lábios cintilam as estrelas, todas elas,
E uma cereja despenca do cálice que transborda felicidade.
Cai no colo da moça na varanda, um sonho em carmim pelo Arrabalde
Rola, uma preguiça de saxofone escancara cada uma, todas as Janelas.

Vem navegar, que do teu leme eu preciso;
mar em mar, o juízo é só uma tábua no oceano;
seus tentáculos desandam choques de Narciso,
não neste, nem em outro, amar não é um plano.

Como escrever uma canção com o lápis que desenha risos,
com a face que recolhe sombras, com o suor que mistura sangues?

Como deter o inevitável fim, Phoenix desvencilhado, néctar,
carmim,
reter um gesto cúmplice, assoprar o último instrumento,
a carne sobre a carne, os seios brotando como dunas,
e tua voraz criatura que te deixa lânguida sobre a lâmina,
como poder se não me posso ao sustento, esgotado e feliz?

Que aves serias, ò triste e bela, que ave pousaria em ti, em mim?
Vem navegar, dentro dessa nau branca e fugaz reside
o mortal coração teu; deixe-me levá-la e teus medos desparecerão;
qualquer mortal canção conteria uma mecha dos teus cabelos,
um trevo do jardim que habitas, um pouco da tristeza
que teus olhos encerra;

Vem, ò jade, ò esmeralda, ò pó;
Que eu não te perca mais do que te procuro.
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 02/05/2006
Reeditado em 05/05/2006
Código do texto: T149094

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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