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ATROPELAMENTO (sai daí, olhos de céu...)

Olha, é mais ou menos assim:
eu penso que faço poesia porque,
de vez em quando uma idéia acerta-me a moleira,
e eu vou assim, meio doida, sem estribeira,
à cata de uma caneta ou teclado,
amarrar a dita cuja a meia dúzia de frases,
de modo que assim não fuja
e registre sua passagem.
Eu penso que faço versos
porque vez e outra, uma palavra doida,
vem em alta velocidade, e toda afoita,
açoita-me o pensamento
sem dó e nem piedade,
e lá vou eu sair da moita,
desassossegar o pensamento,
dar-lhe liga, sentimento,
e amarrar a abusada
a alguma idéia guardada,
que chegou numa pedrada.
Eu penso que te amo
porque quando penso que não te penso,
que vou fazendo poesia
pra falar de outro assunto,
vem logo essa ingresia
e o teu nome entra em junto,
logo desisto do verso,
viro, desviro, reverso,
vou embora, tergiverso,
faço birra, grito, protesto,
reclamo da intromissão,
e olha aí, olhos de céu,
você se mete no meio,
atropela-me as idéias,
bagunça todas as rimas,
vem de lado, vem por cima...
Dá licença, olhos de céu,
me deixa tentar escrever,
falar de qualquer outra coisa,
ensaiar um outro assunto
e que não seja você?

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 05/05/2005
Código do texto: T14922

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai