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O BATALHÃO INVISÍVEL

Com as botassujas do sanguedosoutros entroem casa aosgritoseberros;
Tenho o fuzil preso àmãoesquerda e na outra umapistolaautomática.
Olho paraoslados e eles me sorriemcomose me dissessem
que nãohá ninguémaqui.
Metranquilizo um pouco e, meiodesconfiado, chego atéacozinha e voudestampandoaspanelas para ver o que temosaqui parao jantar.
Largo o fuzileapistola num lugar ondeeu possapanhá-los rapidamente e lavoorosto na piadelavarlouças porqueumsoldado
nãopode escolher e nãodeveescolher lugarparasatisfazersuasnecessidades.
Comocomoumporco que nãocomehámuitotempo, esvaziosas panelas e nelasdou umpontapé de arrebentartudo e deixo oambientetodomudo e mostroque tambémsou de fazerrima e dar esporroaomesmo tempo comouma tempestade quearrancafios etelhados esoa gostoso paraquem de umacasamata estádentro.
Limpominhaboca na manga dacamisaque minhamãefez nooutro
Natal e jáestou emposiçãodeguerradenovo, nãoé possível um soldadodescansarmais que algunssegundosouminutos, tudoémuitorápidoquandose está dentro deuma batalhaque não
sesabe quandoenemporque vai terminar oucomeçar.
Me voltorápido e retalhoumguardanapoquesemexeudemais, me sintoaliviado, já nãodavaumtiro faziatempo, suofrio, alguém,
uminimigo pode estarme vendoe tentandome darumtiro de presentepelascostas.
Tenhoquetomar cuidado, possoservir de alvo sempressentir, não
posso fugiredeixar tudocomoestá, minha mãe podechegar e querer que eu vá compraroutraspanelas, outrasmaisbelas, um outro panodeprato, aquele tinha seunomegravado, nãosei como vai ficartudodaquihápouco, tenho medode ficar loucoemeinternarem numlugarqualquer, ondenãotenhanemmulher,
precisorecarregar o fuzil, me esqueci, elestávazio, dei oúltimotiro nalâmpadadaesquina, só quisassustarumamenina, também, como é que ela vaiacharqueeusou um caraextremamente
perigoso seeunãoder nenhumademonstração, umtirozinho
qualquer, em qualquerdireção, precisotomar cuidado, há
sombrasdemais nomeu quarto, podeser o inimigo, é preciso vasculhargavetas, verse não há nenhummapa, nenhuma ampulheta, precisode tempo, precisode umatrégua, arquitetar essa madrugada, umaemboscada, uma granadalançada,
umestilhaçoacabacomtudo, precisofalar, nãoposso ficarmudo
esperandoque avancem, num relance...



Preto Moreno  
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 03/05/2006
Código do texto: T149634

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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