Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O BANQUETE PRO REI

Vês os meus olhos
Amendoados,
Quase parados,
Fixos,
Atentos, mas serenos?

Sentes o pulsar do meu coração
Batendo nas têmporas
E os meus passos lentos,
Silenciosos,
Cuidadosos quanto os olhos?

Sentes que as minhas mãos macias
Estão quentes e escondem garras?

Não corras não,
Já não podes, é tarde...
Um movimento e eu salto!

Não te movas...
Eu te farejo
O cheiro alvo da tua pele macia,
Arrepiada...

Lambo o sal
Do teu ventre
Até a tua nuca...

Meto o meu nariz
No meio dos teus pelos finos,
Me embriago com o teu cheiro
E sinto toda a força do teu grito contido

Mordisco a tua nuca
Cravo as minhas patas nos teus ombros:
Trago o teu peito, a tua boca e os teus olhos
Para perto do meu hálito quente
À mercê dos meus dentes...

Vim servir-me de ti.

Eu andava na rua,
Pisando na Lua,
Quando me achastes...
Te cercastes de mim,
Tomastes as minhas mãos,
Me chamastes de teu Rei,
Dançastes cirandas ao meu redor,
Jogastes guirlandas,
Mostrastes-me o teu ventre d’ouro de luz...
E num altar feito da seda mais fina,
Queimastes incensos para os meus deuses e deusas
E te oferecestes para a minha fome...

Não, não corra!
Não, não morra!
Olha para o fundo dos meus olhos
Enquanto abro o teu ventre com a minha lança úmida
E beijo a tua boca, mordisco tua nuca, estreito teus seios
E te como com a minha alma...
Espera o sinal que me explode,
Então corra, grite, crave tuas unhas...
Urre e morra comigo na delícia da tua taça...


Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 06/05/2006
Código do texto: T151385

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
246 textos (31010 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 17:57)
Chico Steffanello