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Benfeitoria de Anjos

Faz de conta que é céu,
faz de contas que é purpurina;
Relaxa seus sonhos dengosos
nos ramos que principiam nossa
primavera.

Faz de conta que é verdade,
que mentiras só fazem larguras,
que a medida das coisas
é um copo simples, cheio
de água de veneno.

Faz de conta que tudo
é parte de uma coisa só;
que a coisa só ficou mais densa
e solitária - e juntou-se aos
pós.
E faz um guarda-roupa bem
americano.

Faz de conta que ontem
não passou;
que a noite entrou pelo
dia;
faz chacota de criança
sem berço,
e mergulha no corpo,
que você só usa todas
as terças.

Faz de conta de tudo.
Que teve início e fim;
o meio a gente guarda
caso o céu resolvar
apaziguar.

E deste trem, ninguém parte,
mesmo que fumaça faça,
mas ninguém sai.

O trem das almas
de dois berços;
só sai com reza
e com o sal da terra.

Se não acredita
dou uma pista:
sou oferecimento
coisa dada e
roupa de varal curto.

Se não acredita,
grita por mulher
e vai descobrir
que todas moram
bem perto da abóboda do céu.

Que todas foram passageiras
das incríveis trilhas da terra,
e agora morrem no céu,
onde quem não se acha uma vez,
é fruta comida para sempre !
Argila quase profana, mas
agora benfeitoria dos anjos!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 07/05/2006
Código do texto: T151701
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel