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DIVINA ARTE

Palavras, objetos inanimados sobre o aparador,
Movimentos de lua revertendo a luz
Caem sobre os quintais vivos e seduz,
A boca sangrenta, a pele louca da dor.

As caras cinzentas e aciduladas
Compõem o terço inanimado e viril
Como se postulasse em sonho o sutil
Momento com suas horas atribuladas.

Nem a flor do pousado modelo
Pode escapar do capuz do cio,
Nem a montanha do ombro com frio
Esconde a nudez peluda do pêlo.

Assim segue o indício sua busca.
Caminha cego rumo ao infinito;
Perplexo, chama aos gritos o mito,
Sua casca esconde e por dentro corusca.

Pálidas flores em rótulos medicinais
Revelarão o caos do charco exangue,
Talos divinos, lívidos, no mangue,
Cuspindo luz por seus orifícios carnais.

Assim que essa tarde passar seu vôo
Escutarei a ária que procria lagartas,
Arraigado como ferrugem em latas,
Persistirei, cego, mudo, arte que sôo.

Sabe o unguento que ficar transmuta,
Rápida estiagem, rápido conforto,
Além do amarelo que se põe no porto
Outra cor mais escura em si oculta.

Belo e divino como um nenúfar calmo,
Segue o cortejo gotejante e cálido
Rumo ao poente que mais vi pálido
Do que a semente enterrada sob um palmo.


Preto Moreno






















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 07/05/2006
Reeditado em 07/05/2006
Código do texto: T151902

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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