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Carta a todas as pedras



 

Sois pedra, tão oca como um ouvido.tão profunda como um rio.

E o vento que te passa conta-te o segredo. Não falas, para isso há o homem,

As árvores e as flores. Conta o poeta que sois vozes e almas. Canta-se nos montes

Que sois memórias e deuses. Mas tudo se comporta à lucidez da vossa textura, da temperatura racional da vossa matéria,

Do silêncio do vosso grito. Não tenho mais água que vós. O meu sangue anda perdido em ventos e outras marés.

Só quero esse ar, essa enzima de solidão, para compreender outra vez o tempo, a circulação dos verbos,

O retiro das saudades.

Não precisais da morte, vós sois o aço sempre vivo do vosso antigo sangue, Vós sois o ciclope do poema.

Sem vaidade e sem humilhação a vossa sobriedade surpreende a voz, essa petulante verdade.

 

Tão frias como o fim e, no entanto, eu estou aqui acendendo mais um cigarro, logo mais bebendo uma bica.arvorando uma canção,

Que falará da pedra, daquela que por tão ouvida se forjou o silêncio

 

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 08/05/2006
Código do texto: T152592
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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Constantino Mendes Alves