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QUANDO CAI A NOITE

   Quando cai a noite
   Eu a recolho.
   . . .
   Em meus braços, amolecida,
   Me dá o dom de separar
   As estrelas dos cometas,
   Por seus extensos arcos.

   Quando cai a noite
   Eu a desfaleço.

   Cristais seus fingem brilhos infinitos,
   Ouço a mãe da noite publicar enfeites e pérolas
   E o quanto se queixa do sol,
   Desvairado sedutor.

   Quando cai a noite eu a bebo.

   Sumo e misturo seus cais ao sumo dos navios siderais,
   Rendo meus piratas e os entrego ao capitão do mar bravio.

   Não me queixo se a tenho pouco,
   Nem muito deixo de ser seu amante louco
   Já que moro no outro lado da lua.

   Já foi me dado um conselho,
   Dele nada segui.

   Deixe a noite se enamorar, vaga e densa;
   Deixe-a despertar dessa inconsciência,
   Se lavar no rio dos feixes de imãs e rãs;

   A noite em singular plurifartura se multiplica
   E em unicelular veste se clarifica.

   A noite dispensa amantes.
 
   Por ser tão amada e tão querida,
   Da noite nasce o caos,
   O sal da única vida.

Preto Moreno

















 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 10/05/2006
Reeditado em 10/05/2006
Código do texto: T153819

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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