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ENCONTRAR-TE

Assim,
de um jeito inopinado
ficou-me a sina de te encontrar
num circulo estranho,
de encaixar-me na tua rotação
e saber que transmigras,
ao descobrir-te em mim
como que numa clonagem,
a um tempo,
de felicidade e de mágoa.
Por fatalidade acessória
este esvoaçar em farrapos,
em longos filamentos de sisal
ou de uma fibra qualquer
mas que não iniba
o meu cair em tentação
de roubar alarvemente
uma bruma para consumo próprio
bem ao fim do dia.
Nada de tão grave
como o saber-te de cor
em cada espiral,
e percorrer uma a uma
até à remota essência do teu ser,
intensamente desejado.
 
E se por cada instinto
eu me deixo possuir
como flor que desabrocha
ao centro de uma galáxia,
e te afago com a suavidade
de uma asa de borboleta,
e te sinto minha quimera,
deslumbrada e deslumbrante,
suspensa de coisa nenhuma
por um instante... Sim!,
ao me eternizar em ti
será numa vibração,
num espasmo;
marcar-te-ei numa ruga,
serei o fluir numa veia,
o efeito ou a causa
a função vital
que te incendeia,
e o sentir plangente
de carícia ou de açoite.
No teu sonho espero ser,
por fim, a malícia
e a volúpia da noite.

Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 12/05/2006
Reeditado em 12/05/2006
Código do texto: T154777
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
64 textos (2257 leituras)
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Luis Melo