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Epitáfio do amante

Não existe dor maior
Que o arrepio indesejado,
A agonia mórfica,
O viver e não poder,
O arranhar e sentir cortar,
A saudade eterna,
A mente insana,
Que só pensa na morte.
Uma vida que não se vive.
É um esperar pelo inesperado.
Uma previsão,
Pra quem não tem futuro.
Um odiar,
Quando se é o único.
Um gemer,
Quando ninguém o ouve.
Um pairar,
Quando o vento sopra gelado.
Um espairecer,
Quando se vive em uma cova.
É uma verdade incontestável,
Uma dúvida que não se explica,
Um resultado que não é exato,
Quando se tem uma única chance
Dentre todas as salvações
Que nunca existiram.
É um doer, fisgar, beliscar.
Sentir-se atordoado, irritar, chorar.
E resumindo tais incômodos:
O triplicar sofrer.
De quem sofre à noite,
E morre ao amanhecer.
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 14/05/2006
Código do texto: T156159

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
73 textos (4623 leituras)
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Maria Clara Dunck