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Tempo Sem Dobras

Arguta manhã,
de gestos leves,
sem plantonistas,
sem réguas de medir.

Arguta manhã que me
chameia de entrelaços,
com os nobres de
castelos falidos.

Sei que daqui não passo mais,
não rimo, nem desvelo,
sou arrítmico e desvendado;
troco de duas moedas
e dono de sinceras mulheres
avulsas.

Procuro dentro de mim
as poucas respostas
que deviam resplandecer
no lago azul,
com margens corridas
e cerradas folhagens.

Se já estive aqui
foi uma vez.
e por não saber contar
o tempo,
digo agora, ou depois,
mas aqui, certamente,
me alvorecei
de palha,
de cetim com brocados
e pedras.
E fali no estalido
do copo de cristal.

Se foi agora
foi por muito tempo,
se foi longe, também
foi um tempo tão
longo,
que dá até prá atravessar
o céu em cem anos.

Mas.me perco em conjecturas.
Já sou homem de falhar
Não tenho mais aquela festa
de 15 anos;
as pernas agora são dobradiças do tempo,
e as mãos inquietas, rebuliçam o ar
atônito, e sem nenhuma divindade.

E por isso,
minha canção termina aqui:
eu,sozinho, no meu sótão
de duas vidas,
ou eu sozinho junto a minha
vida que entreguei a ela.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 15/05/2006
Código do texto: T156330
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel