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Metade do que Sobrou

Quisera ser
o último de uma fila
de dez.

Dez homens
ou dez mulheres.
Dez esperanças com
uma roda gigante
prá brincar de criança!

Quem dera se tudo
fosse de brinquedo
com cores mil,
do azul ao branco.

Quem dera!

Quisera ser
o último da fila
prá nunca ter quer entrar.
 
Só passar!

Quem dera se fosse de
novo criança
de brinquedo,
feito de avós e de louças!

Quisera eu ser parque
de diversões prá passear
com amigos íntimos
a procura de amores
múltiplos!
 
Pudera eu!

Não sou nem a metade
dos dez,
nem o primeiro e
nem o último.

Virei esperança da praça,
virei gente torta, sem raça!

Se gosto, gostei.
Mais de novo passei.
 
Agora, de longe
olho o que se foi
e quero trazer de volta.

Mas se trouxer,só trago a
metade de mim,
a outra metade ficou
lá longe.

E o viajante que por bem
passar vai ver a metade
de mim por lá,
e a outra metade
do que fui.
 
Rodando e rodando,
num poço sem fundo, e trazendo,
num gesto de infelicidade,
que não tem fim,
o que sobrou de mim!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 16/05/2006
Código do texto: T156968
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel