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GUERRA É GUERRA

Não vi a guerra.
Vi pela tv.
Vi o obus como vareta de São João
Arrebentando um coração.

Quando um homem abraça um obus
Terá ele tempo para um cumprimento?

Quando tem as cordas vocais arrebentadas
Terá tempo ele para uma ária ensanguentada?

Sim, o homem tem o controle,
Remoto,
Da situação.

" Não preciso que me vejam na trincheira..."

Deve ser essa medalha que chamou a atenção.
Foi uma bugiganga que comprei no camelô,
Disse-me para rezar pela minha salvação.

Não tive medo.
Tinha uma criança ao meu lado.
Só tive medo
Que ela me pedisse o controle
E explodisse a última torre.

Quem sabe se era uma mesquita,
Uma boite budista,
Um evangélico templo farrista...

A noite crescia ao meu lado,
Achei que uma guerra tivesse um perdedor,
Alguém honrasse o compromisso
De lhe dar dinheiro para compensar o horror...

Que nada, o locutor de terno e gravata
Anunciou a próxima atração,
A criança ao meu lado dormia,
Dei-lhe um beijo,
descansei meu coração.


Preto Moreno
26/12/99



































Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 17/05/2006
Código do texto: T157782

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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