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(imagem: Relógios moles, de Salvador Dali)

UM TEMPO SEM TEMPO

Necessário e imperioso dizer
que às vezes precisa-se um tempo.
Um tempo sem horas,
minutos, segundos, barreiras.
Um tempo mole, flexível,
aquele que alguns jogam fora
(quem sabe lhes ande sobrando
ou andem fazendo besteira).
Ou por não saber o que fazer dele
ou, por imersos que estão
em suas próprias fronteiras.
Mas precisa-se deste tempo.
Absolutamente necessário
até segunda ordem
ou mesmo prova em contrário.
Um tempo que não se conta,
um tempo sem calendário.
Pra mirar o mar ou as flores,
um tempo que tenha cores.
Que passando, assim, de manso,
repousa calmamente,
deitado no fio do descanso.
Quando se possa pensar
"que bom! é verão e não faz frio."
Tempo em que se possa
morrer um pouco, sem desespero,
pra renascer em seguida, aos poucos,
não como quem vai ao desterro,
mas que volte com olhos novos
e cria outra vida, com esmero.
Um tempo para abrir portas
e fechá-las também, caso queira.
Pra equilibrar-se sobre o fio
da vida que passa, ligeira.
Um tempo sem relógio,
de não se fazer conta,
tampouco de se fazer caso.
Pra descobrir porque se está triste
ou porque não se sabe como está.
Um tempo simples apenas,
é o que se necessita
pra dar-se conta da vida.
Um tempo sem tempo.
Nada mais.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 17/05/2006
Código do texto: T157860

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154014 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 10:42)
Débora Denadai