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A Última Mulher

Rastejo o forte porque
sobrevivo de seus anfortes,
rastejo o poderoso,
pois dele ilumina meu
pandemônio.

Vida desregrada,
vida pendulada,
vida encurralada
Ah! vida toda amarrada!

Moro no centro,
no âmago de tudo,
onde passa o trem,
onde codornam as aves.

Moro bem no meio,
entre o céu e o inferno.
É uma barulheira zoada
pois o rebuliço é empacado
bem junto, bem perto.

Sou de junho,
nasci em Malpasso.
Sou de passar,
de andar,
sou forjado em puro aço.

Mas,às vezes dói:
não ter com quem falar
vira daqui, vira prá lá
é tudo o mesmo:
o mesmo gradeado!

Sou pandemônio vivo,
por isso me trancaram dentro
de mim;
prá prevenir mais fugas
interiores;
senão me colocam numa carroça
que não tem fim.

Também, quem mandou nascer
desse jeito maldoso, cheio de cor?
Quem mandou perder,
no primeiro sol da manhã,
a última mulher de amor?
José Kappel
Enviado por José Kappel em 18/05/2006
Código do texto: T158080
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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