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O NÁUFRAGO

N'alguma concha de uma praia
Deserta
Escovo os dentes com lambari,
Meu barco de madeira,
Casa de folha de bananeira,
Um coqueiro,
Caxixi.

Almoço posto, tempero à gosto
Um caldo de tartaruga,
Assim acabo com as rugas,
Me fio na eterna juventude,
Na passageira latitude
Entre o naufrágio e a salvação.

Quem me busca
Pra me salvar dos selvagens
Procura tirar vantagem,
Uma foto de viagem,
Uma pedra que corusca
Na varanda do sobrado,
Um dente de baleia etrusca
Na vitrine dos guardados,
Um troféu, uma lembrança.

De novo na caverna da cidade
Levo na flauta, levo no bico,
No caderno de viagem,
Mostro marcas, sacrifícios,
Assim, de sobreviver faço ofício,
Lanço à deriva meu diário,
Da garrafa tiro um gênio
E no meio do proscênio
Faço bico, faço vantagem,
Sabe-se lá quando um náufrago
Poderá sentir-se súpero,
Poderá sentir-se seco
Depois de úmida viagem.

Preto Moreno
08/07/85
17/05/06


Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 18/05/2006
Reeditado em 18/05/2006
Código do texto: T158328

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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