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Engenho de Palha

Engenhos da faina,
cobrem o espaço encardido
de roucas vozes do passado.

Espaços semi-abertos,
de terra e sol,
espargem o medo
e procuram suas mãos.

Corrrida de poucos,
com véus acetinados,
cobrindo meia-face
de ansiedade.

O homem caminha
por entre círculos,
que é ele mesmo.

Faz da meia-volta
uma chegada
ao seu interior.
Sem chegar a lugar nenhum.

Se procura, não acha,
se não acha, se perde,
e quanto mais afunda,
mais larga fica a distância
entre os frutos amargos de
não ter outro espírito igual
ao seu.

Se faz duelo,
perde por espadas
mais de corte;
se faz ponto
é corriqueiro,
coisa de cristais,
que ficam reluzentes e
sensíveis apenas
para quem o sorve.

Se acorda, padece,
se chora é de romance,
se clama é por duas
vezes:
ramos empertigados
evitam sua porta.

Se é trigo, é safra perdida,
se é sombra, é fria,
se vêm à noite
todos os fantasmas se reúnem
a sua reza.

É sonho, é dissipação,
mas nunca deixa de
passar a lâmina do adeus
em seu rosto.

E o nascente não entende mais
o poente;
nem as razuras se encaixam.
O escuro e o claro
são complacentes
do medo.

E nesta noite de desdém,
rezo baixo e vazio:
o que tem que passar
que passe,
mas nesta caravana
sem amor,
não embarco,
por dever ou obrigação.

Não vou para não perder,
a hora que você chegar
feito criança.

E perguntar:
quantas vidas já viveu,
tão só como essa,
a procura de sua outra
imagem,
ainda perdida
no mundo dos aforas,
onde nome ninguém tem?
José Kappel
Enviado por José Kappel em 19/05/2006
Código do texto: T158729
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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