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No Fundo do Rio

Querido pai. Sei que me
espera com ansiedade,
sei disso por
ser também sobrenatural
e fazer parte da família
que se foi um dia.

Mas hoje...
hoje!

Estou feliz,
feliz assim,
cheio de roupa nova,
brilho de seda,
parecendo um
rei,
que não se despertou
para o adulto.

Sou eu que desfruta
de satisfação e ventura;
sou ditoso, afortunado,
venturoso.

Lá por dentro
onde voam pássaros
de fogo sou
intimamente contente,
alegre, satisfeito,
por saber que vivo
estás
em algum lugar
que ficou.

Sou eu que prospera,
que não teme o suicídio,
ou se desliga da vida
de modo permanente.

Sempre tive bom resultado;
fui bem-sucedido:
e favorecido pela sorte,
um afortunado:
que pede bênçãos ao padre
de manhãzinha
e que me
proporciona felicidade,
e disparates
de emoção,
pois sou um bendito avulso.


Estou sempre bem
lembrado ou imaginado,
pelas moças da vida,
e convivo
com o restolho
de seus sonhos.

Hoje denoto a visão
da alegria,com satisfação,
contentamento e ventura.

Uma zorra de alegria
numa pedra que bate
e não fere!

Mas no fundo,
se recolher os destroços,
lá nos perdizes,sou apenas
um laço sem cor,
um ameaçador da vida,
um pronto para se
atirar daqui
até lá.

Daqui da ponte
até o fundo do rio.

De seu filho,
João.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 20/05/2006
Código do texto: T159335
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel