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O Mundo da Gente

Nenhuma noite é perfeita,
principalmente as noites dos homens;
de mulheres, falam por elas,
mas dos homens,falo eu,
desastre permeável.

Enquanto alguns seguem caminhos
já abertos;
outros se aventuram em trilhas
mal acobertadas.

Uma zoada!
Perfeito ninguém é!
Mas tentar ser mais,
é milharar na terra arada!

Entrar por esses caminhos,
cheio de tortas vielas
e casebres iluminados por velas,
é falta de bom-senso e
total corruptela.

Mas todos entram,
como pássaros na gaiola,
pretendem alcançar o
impossível
dentro de seus vazios.

E vazio é o que mais domina.
Se vê um copo escorrer na mão
suada, pode crer que a legião
dos desamparados começou
a se formar na reta dos imigrados.

Todos vêm de um só lugar
Todos vão para um só lugar.
Casa de xícaras, copos de cristal,
mesas postas,luzes feéricas!
Risos a tôa,
sem sentido,
sem pátria métrica.

E olhando de longe,
tudo isso,
a gente acaba por entrar
na festa dos irrizórios.

A festa que leva homens e mulheres
a lugar nenhum,
senão prá dentro
deles - sem caminhos de volta!

Cada um pega um pedaço
de solidão e vai sonhar ao lado
de outro vazio.

E são tantos os vazios
que nele cabe o mundo.

O mundo da gente,
o mundo delas,
todos perdidos e mudos
atrás do sentido das chegadas,
do valor do existir,
que nunca encontram ali ;
pois perdido foi,
achado nunca mais!

E se embebeda de
vazios prá todo lado;
Na noite dos desamparados !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 20/05/2006
Código do texto: T159347
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel