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Dois Pares de Bota

Minha missão acabou:
triste,enfeitada de
achados e muitas percas.

Se achegue, seu Mestre, me tire
daqui.

Deste vão mais fundo,
que não tem fundo,
só musgos,espinhos
e escuridão.

Se achegue seu Mestre:
pois foi aqui
que me colocou,
nesta bruma que não
vai embora,
num sol que nunca aparece.

Com isso, minha missão
acabou.

Quero ir embora.
Pra que lugar eu não sei,
pode ser até para às nove e meia
da vida,
mas que não haja breu
nem dor.

Agora só dar prá ter quatro
sonhos de verdade,
sendo, um deles,
dedicado a Maria das Graças,
a que mais quero,
pois foi a primeira a me ver
e a última a suspirar.

Sendo assim, em nome
do bom senso
- coisa dos perplexos e o que
mais falta aqui -
peço para partir,
minha hora chegou sem
nenhuma cor de alegorias.

Carrego dois pares de botas,
um pra chuva, outro pra chegar.

Melhor assim: esperar,
o bonde da meia-noite,
e seguir toda a vida
trilhando;
a procura da mulher verdadeira
que seja cheia de ímpetos,
e, de repente,
dê pelo menos um beijo
ao chegar
e outro
ao partir.

Mas. se achegue seu Mestre,
veja como é doloroso
não ser nem dono da
própria vida.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 20/05/2006
Código do texto: T159352
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel