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Moça de Três Dotes

Aquela moça de três dotes,
sendo um bem sexual,
virou agora balconista.

Aquela moça de lábios brancos
e secos,
olhos amendoados de cor,
e corpo zucrinante
que nem parece ter
lá seus dezenove, virou balconista de
um armrinho.

Eu, que há anos persigo
aquela mulher,
só recebendo, nem mais
respostas,apenas
olhares comprometedores, decidi
hunescamente:

E falei pra mulher:
daqui prá frente
quem faz compras no
armarinho sou eu,
quem compra agulhas
sou eu,
quem compra pano de
vestir sou sou,
quem compra as quinquilharias
da vida, agora
sou eu!

E para que o leitor saiba,
tenho lá o dobro da idade
dela,
e minha mulher
tem quase o dobro da minha.

E fica essa dissonância total no mundo
ocasional do amor.

Nesta indecisão sexual,
vou eu preferir o corpo mais enxuto
e cativeiro de amores, daquela mulher
infernal do amores escondidos!

A partir de hoje que faz compras
sou eu.
Até um pedaço de agulha eu compro
só pra ficar do lado dela.

Entenda bem o leitor: isso
nem ao menos parece traição:
é um renascer de amor
que um homem, que por mais homem seja...
que seja...possa aguentar!

E, para que o leitor, fique
bem informado de minhas intenções,
eu não traion ninguém.

Mas chega numa hora,
...chega numa hora...
que a vaca vai pro brejo,
que as convenções desaparecem
e o que era ontem,
não é mais hoje!

Traição não: desvio momentâneo
de paixões.

E viva eu! Sou agora comprador
até de calcinhas, com vistas abertas
e folgadas!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 21/05/2006
Código do texto: T159950
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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