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O MONSTRO NOSSO DE CADA DIA




Se quiser a liberdade para os que cercam tua cidade,
Dê a eles o pão do armazém,
As armas dos arsenais,
Os livros proibidos,
Os caminhos sem estacas.

Se quiser a liberdade que mora nas asas das aves,
Liberte os pássaros das gaiolas,
Suspenda a construção de mísseis,
Destrua os templos de tortura,
Construa casas para os desabrigados.

E se não quiser, não faça nada,
Nem faça o que anda fazendo,
Dê um tempo nessas façanhas,
Ou cesse as máquinas do pensamento.

Se quer um homem caído aos seus pés, vicie-o.
Se quer uma mulher gritando, roube seu filho.
Se quer um país de renegados, negue a terra deles.

Não há país que possa suportar a paz,
Não há licença que faça livre todas as fronteiras,
Não há orações para todos os nossos mortos.

Só há um monstro se compondo a cada dia,
Com os pedaços das misérias e horrores,
Com os retratos de países violentos,
E esse monstro andará por toda a Terra.

Já se escuta o grito dele nas entranhas,
Já se batendo, louco para escapulir,
Andar ligeiro, devastando as pobres vítimas,
Esse monstro que o homem pelo bem criou.



Preto Moreno
13/08/1980



















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 21/05/2006
Código do texto: T160254

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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