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Venho do Pouco

Obrigado por perguntar.
Alguém de boa soada,
Lá me pergunta,
Mas de onde vêm?

Chego mais perto e
sussuro afoito -
assustado- e digo:
obrigado por perguntar.

Venho de dois lados,
Todos os dois agudados
de pontas.
Um é lascivo, outro é
de paz.

Mais um de bom-dia
não dá pro outro.

De onde venho
acabotam ventos
sudeste, e boroam
sóis à bombordo.

E me pergunta,
De onde vêm?

Do cabo mais próximo,
do vento mais passageiro.

Venho logo do próximo,
da primeira esquina,
da multidão,
da fantasia do avô
do meio-amor, do pai.

Não venho da mãe, nem da pedra,
não venho do roçado, e pinguelo
anseios de sal.

De onde venho , têm vários
lados que fazem dois.

Sou uma espécie de
rascunho.

Isso - rascunho!
Cheio de figuras
que até hoje não sei
tal significado.

E são figuras estáveis
e comportados.
Juvenis e cheio de
porta-retratos.

De onde venho
Vêm o homem sem lei,
vem o cavalo sem dono,
boitam pradarias
e árvores gigantescas.

Venho disso tudo,
um pouco daqui,
um pouco de lá.

Medroso feito vara verde,
herói de quadrinhos,
Mocinho só de cinema,
Mulher só de vista.

Venho de um pouco
de tudo, até do erótico,
e de um pouco de
nada.
Mistura exótica e
feliz.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/05/2006
Código do texto: T160513
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel