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Parto Que Reparto

Parto que me reparto,
entre a voz
e o rouco,
entre o sem fala,
e a médula que bole com
a flor.Ai, reparto!

Fico que não fico,
abraço as ruas,
e o povo que se
aglomera
debaixo do céu,
sem teto. Ai parto!

Parto que me reparto,
fujo da gala,
me embrenho na moda
disposto a ter ancas
de seda ao lado!

Mas em tudo me perco
entre a massa
que se ergue,
junto a porta do Oriente
que me trás
duas felicidades:
que não sei onde estão,
ou se perderam na
minha jornada em Trípoli
ou em San Lourenzo.

Fui
viajante de portos
onde nadavam navios
sem vela, com um pobre
capitão, de couraça antiga,
vivendo entre o bêbado
e o antigamente.Ai parto!

Sou farto
gordo nefasto!

Sou obra
mas não tenho paredes.
Benza Deus!

Sou tão pequeno
perto da flor
quando abraço o jardim
dentro da roda de
crianças alegres,
que nascem a cada dia
sem saber nem contar
os dias.


Parto que não parto. Zóis!
faz da vida e me prende,
dentro da ilusão.

Mas sou parte do grande,
mas vivo dentro de
tão pequeno desamor.

Mulher sem alma! Zóis!
Nem adianta alargar a cama!

Cama de desamor tem portas,
janelas e breu.

Tem gente lá fora!
Sou eu, calado!

Que durme entre o vento
e a luz dos vitrais
escorregios de cores
que não se vendem !

Pois no momento está
tudo torto!

Pois mulher de sabão
só na revista principal !

Isso tudo por um amor machucado
de abraços, que eu parto e reparto,
vou além da vida
bem triste e alado !

José Kappel
Enviado por José Kappel em 24/05/2006
Código do texto: T161790
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel