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O REMENDO DO ESPARADRAPO

Manhã, cara feia.
Barba por fazer,
gilete, corte!
Nada a dizer.
A não ser tentar
soprar o rosto que arde
envergonhado de sangue.

Qual um zumbi,
Juvenal deitou-se no sofá
com o envelope aberto do laudo.
Qual desesperado,
Juvenal, com de dor-de-barriga,
em disparada procura outra causa.
Qual um insatisfeito,
Juvenal não mais lê correspondência,
isola-se e nega seu endereço aos íntimos.

Com jeito de quem não mais sabe caminhar
          para o próximo longe ou para o perto distante,
Juvenal tropeça no batente desconhecido dos dedos
          num “puta que pariu”  à procura de amigos,
e desgarra-se do mundo com cara de noticiário
          temendo que seu câncer alardeasse
uma melancolia aos sete ventos.

No meio do fim do mundo,
Juvenal descobre um cartão no bolso,
avista um orelhão e liga para falar de todos os fins.
Seus esparadrapos desgrudaram do rosto da mulher distante,
e, aos prantos, percebe os estragos na alma doendo qual um câncer!.


Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 10/05/2005
Código do texto: T16215
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho