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O COMPARSA DO INFINITO

amada única,
teu olhar, ainda sobre a cama,
de pálpebras dengosas
me vê qual um raio-x.
Sabes todas meus males
de corpo e de espirito...

assim mesmo acordas
como quem busca explicações,
para tatear-me com mais carinhos
feito de manhãs, de tardes ou espantos.

amada única,
teu olhar, ainda de noite antiga,
de uma palidez tingida
me reflete felicidade.
Conheces todos os lares
onde vivi e adormeci...

assim mesmo remoças
como quem cedo esfrega olhos
para que eu amadureça no embalo
dos teus dois braços em forma de berço.

Amanhã,
se eu me encher de rugas ou olheiras
jamais direi que foi falta desse comparsa
do infinito que me remoçou na euforia dos eleitos,
da paz que deu morada definitiva ao meu olhar,
mesmo cansado
de acordar adolescente de ansiedade
só para ver teus olhos atentos,
amada única,
dengosos, como fachos de luz em mim,
me fitando, como se rezasse, para curar-me da insônia.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 10/05/2005
Código do texto: T16222
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho