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O DIA EM QUE O MUNDO DESPERTOU

I
mandei derrubar os muros do dia escuro;
todo amanhã tem cara de progresso!
Como eu queria ver as velhas espinhas-de-peixe
reproduzindo-se qual papa-capins no telhado das casas,
mas os assombrosos condores gigantes, redondos,
trazem a sombra do mundo aos lares.

mandei cortar os sussurros da linha cruzada;
todo começo da fala tem um dito lógico!
Como eu queria sentir as almas do outro mundo
falarem pela boca de outra boca, médiunica, em transe,
mas a reprodução em massa das linhas telefônicas
isolam o homem do sentimento da voz.

II
Ah, como eu queria abrir os olhos do mundo
para que ele acordasse no presente
e, de preferencia, no dia do aniversário.
Pois este infeliz e inseparável companheiro
está tão cansado de ser chamado: — “Antigo!”
Preconceitos e homens não se renovam.

Solitário, na minha cidade,
toda sua escuridão cresce como a noite,
e, de lambuja, sinto-me gasto por viver
mesmo sabendo que a idade chega
para matar o mofo e a tez pálida.

Agora,
guardei todas as cortinas;
preciso ver o sol!...

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 10/05/2005
Código do texto: T16225
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho