Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O HOMEM QUE MATOU O NATAL

Vou embora de mim.

Nada mais tenho a fazer desse corpo,
hospedeiro da eterna juventude,
que nos Natais se embriaga de solidão.

Nunca usei sapatos.
Talvez, por isso, gosto de matar Natais
ou para sempre deles fugir foragido
com cabelos brancos, com barbas de molho,
com a injustiça ao meu encalço
com uma mulher no presente
à procura do amigo antigo.

Nos Natais, as meias sofrem de tosse,
os desumanos mostram-se solidários
com toda a injustiça social; exceto
com o homem que matou o Natal.

A fachada apagada, de luto,
sombreava quatro velas aladas
que furtivamente sopradas
sopravam meu corpo defunto.
E, a partir de um ano sem memória,
não acendi mais o fogão
não ouvi o repique das harpas,
apaguei da folhinha
todos os dezembros vinte e quatro.

Como é bom estar num plano
tão mais Natal de mim!

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 10/05/2005
Código do texto: T16226
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Djalma Filho http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=686). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
658 textos (19522 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 08:19)
Djalma Filho