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A OVELHA REBELDE


Nesse mundo gigante
De muitos rebanhos
E diferentes tamanhos
Havia uma ovelha rebelde
Cansada de tanto andar
Sem nunca sair do lugar
Vivendo como ovelha mansa
Conduzida por outras ovelhas
Que a levam a qualquer lugar
Pois até a ovelha-guia
Não tem como sair da prisão
Nem como achar
O portão de saída

E num belo dia
A ovelha começa a pensar:
“Não quero ser rebanho
Nem viver a vida inteira
Nesse curral de ilusões
Que só me deu alegria
E tantas confusões”

Ela descobre, porém
Que no horizonte e além
A paisagem é mais soberana
A um simples curral de vida plana

Assim a ovelha se torna
Um cordeiro rebelde
E uma desgarrada ovelha
Sobre a cerca a pular
De suas amigas eslavas
E nunca mais retornar
A uma vida de escravas

E em sua nova jornada
De belezas e mitos
De um fascinante mundo
Há também grandes riscos
Se dentro da cerca
Havia retaguarda
Fora dela, contudo
Ela se torna uma isca
De um lobo faminto

Mas a ovelha-guerreira
Não teme o destino
De ser uma ovelha-rainha
A um simples cordeiro
De um curral pequenino:
“Quero uma vida que é minha”
Disse a ovelha-princesa
Em sua vida-incerteza

Prefere andar pelos campos
Ou em belas campinas
Arriscando sua vida
E grande perigos
Em caudalosos rios
A voltar como ontem
Vítima da mesma sina:
Dar a lã para quem tem frio
E saciar a fome dos homens

A ovelha fartou-se
De ser explorada
E nunca recompensada
Ficou indignada
Com tudo que deu
E nada recebeu
A não ser a forragem
Que não é dada de graça
E sim uma cobrança
sem qualquer esperança
Para que produza mais
Engordando sua lã
Aumente o bolso dos clãs
E não possa viver em paz

A ovelha cansou-se
De sua vida-matriz:
Ver sua lá furtada
Para cobrir seus donos
Sem que ouçam o que diz
Ela morrendo de frio
Sem quem lhe dê carinho
Nem lhe cubra em seu sono

E assim a deslanada ovelha
Seguiu seu caminho
Andando pra frente e adiante
Sem nunca olhar para trás
Prefere a liberdade sonhar
Á realidade aviltante
De simples animais.
Em que seria um a mais
E um número a menos
Na conta dos seus dominantes
Que só lhe exploram demais.
Pedro Ernesto Prosa e Verso
Enviado por Pedro Ernesto Prosa e Verso em 25/05/2006
Reeditado em 25/05/2006
Código do texto: T162553
Classificação de conteúdo: seguro

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Pedro Ernesto Prosa e Verso
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Pedro Ernesto Prosa e Verso

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