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RELÓGIO DE PÊNDULO

Cinco da tarde.

Esquece teu pulso
de casa antiga,
o amanhã há de despertar
ao trânsito, às reuniões,
ao dia que não te viu de dia;
cedo ou tarde
[às cinco, no Japão]
acarinharei
o  travesseiro
gigante em sono.

Cinco e quinze da tarde.

Esquece teu senso
de mesa familiar,
o amanhã há de contar
as calçadas corridas,
a forma de não achar a forma;
magro ou gordo
[Olivier ou Stan]
espero o afago
da mão da amada
rindo cinemas.

Cinco e meia da tarde.

Esquece teu simular
de fita atenta,
o amanhã há de abrigar
diversão nos parques,
os mais aflitos altos e baixos;
moços ou velhos
[Matusaléns ou bebes]
para o conto
do pêndulo lento
a fazer sala.

Quinze para as seis da tarde.

Esquece tua forma
magra-espartilha,
o amanhã há de assistir
as compras e contas,
o tempo pouco
para fazer mercado;
acompanhados ou sós
[Davi e Luiza]
nascidos da fome
ocupam lugares
nas cadeiras.

Hora do ângelus.

Lento,
no refúgio do tempo,
um relógio
[pendulando]
fala com os mortos,
na absurda altura das paredes
desse apartamento desconstruído,
a exigir, pelo menos, uma Ave-Maria
às seis da tarde
[seis da noite no Japão]
e pára
como se a noite ao pó voltasse.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 25/05/2006
Reeditado em 30/05/2006
Código do texto: T163039
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho