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Pedra de Amar

As pedras tem coisas
entravadas prá decifrar.

Não que eu tenha medo
delas.

Pois são apenas pedras.
E delas muita gente
se arreda!

Vivi muito tempo
parecido como pedra.

Não sei se angular
ou se fragmentada mas
nelas me perdi.

Minha pedra é afeiçoada
mais não é lápide sepucral.

A pedra vive em mim, como
um eterno engano da natureza.

Sei que sou aleatório.
Mas chegar ao ponto
de ser pedra,brita ou de arenito ,
é outra coisa.

Tenho força, igual Cabral,
pronto pra descobrir
o fundamental.
 
Mas se na rua me chamam
"lá vai a pedra"!

É coisa de se perder!
Não sou caneco de chope ,
nem água de beber, mas
de pedra, estamos
assim , ela lá e eu aqui.

Diamante? sou de pouca valia,
não tenho retângulos ou brilho
mágico.

Às solenidade nunca fui.
 
Nem sou,
argamassa prá construção
que já é coisa comum.

Mas, dá um tempo.

não sou gema de adorar,
e quisera ser neolítico.
 
Mas não sou, sou de pedra
trabalhada,
artificial, mas sou.
 
Insonsa, não sei.

E ai eu pergunto,
tem na platéia quem me aguarda,
alguém disposto a amar uma pedra?

E tem mais uma:
essa pedra é de alma,
e de corrupta tem pouco,
não erra:
é solidão pura!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 26/05/2006
Código do texto: T163174
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel