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De Belgrado ao Álamo

Inócuas são as margaridas
que florescem ao léu de
meu jardim de duas entradas.

Mas não são só margaridas
que fazem o sentido do jardim.

É possui-lo e saber
que sou dono de mim
e de várias flores.Só.

Era querer demais
frutificar em mais pétulas.

Mas visitantes só entram na
primeira porta: a que não tem
saída.

A segunda porta
é de emergência
para fugas bruscas
nas madrugas chuvosas
- fora das luas que não surgem -
nestas noites de muito
empenho para deixar
tudo e não ser mais nada.

Segundo consta a maledicência
que corre atenta por esses dias,
sou homem de uma só porta.
 
Por isso mandei construir uma
segunda - a de emergência -
que vai dar no pórtico de uma
ruela sem nome e escura
onde sobrevivem sobras
suspeitas e desgarradas d
e almas e
de gente.
 
Se não posso, não consigo.
Se não consigo, não tenho.
E por isso sou chamado
de homem de uma porta.

Pois de Belgrado ao Álamo
não existe homem igual.
 
Perdeu a casa, perdeu a
família, os desdéns,
a fruta e o doce.

Restou a porta e o jardim
e as pobres margaridas
que sofrem com meu desalento
de uma guerra que comecei
e não sei acabar.
 
Mas pela porta de
emergência,
essa eu sei sair
alado e indigente !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 26/05/2006
Código do texto: T163190
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel