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Dos homens que sou

Dos homens que sou
o menos humano
lambe as feridas da criança pobre
para que adormeça

Dos homens que sou
o mais pacífico
faz greve de fome por liberdade
(vendado no meio do trânsito intenso)

Dos homens que sou
o mais escuro
incendeia o planeta
com todas as luzes
que os injustos apagaram até aqui

Dos homens que sou
o mais precário
é operário de dezoito horas diárias
(mas o dono das chaves da justiça final)

Dos homens que sou
o menos amoroso
é todo tão teu
que será até depois
de nem eu mais ser meu

II
Dos homens que ainda serei
o menos justo já arquiteta
infalível
a multiplicação e divisão dos pães e dos peixes

para que a maior vitória
seja a igualdade
entre os homens de boa vontade
Rossyr Berny
Enviado por Rossyr Berny em 27/05/2006
Código do texto: T164120
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Sobre o autor
Rossyr Berny
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Rossyr Berny