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As Viras do Porto

Quando a puberdade aportou

lá pelas

trinta horas

de vida

e

nenhuma de humanidade,

só pensávamos

em três coisas

básicas

que de frutos,

não tinha nada:



Não fazer nada,

procurar o que fazer,

e quando achar, não fazer.



Era 1920,

a terra ainda girava

de cabeça

pra baixo;

não era igual a hoje

que mal tem forças

para girar.



Para nós, de tenra idade,

só tínhamos medo da

morte - porque era um apagão

de verdade;

tanto que nossos professores

iam um a um!



E depois da lágrimas:

coca-cola,rum

abacaxi, um rabo de

saia

e um sorvete de melão.



Big Bands animavam nossos

pés e lavavam nossa

alma

pois o mundo começava

na porta de casa

e terminava na porta

de outra.



Amigos à parte,

Tínhamos como parceiros, a natureza,

o sol e a terra,

tínhamos o sobretudo de

inverno

e uma rala

camisa de verão.



Bem, isso tudo pra

contar que

morreu ontem

John Wayne!



Choramos no quarto,

beijamos nossas namoradas

e juramos que igual a ele

nunca mais.



Nosso mundo havia acabado

com direito a pano de

seda,

cor carmim,

um corrimão perdido

no espaço

e uma abóboda de luz

tão grandiosa como o sol

que anunciava que alguma coisa

estava mudando.



Que o xerife de nossa vida

seria a gente mesmo.



Mas, antes, e para sempre,

adeus aos amigos que

não tivevemos

a mulher que nos trocou

por outro,

do roubo que fomos acusados,

do avô particular que morreu

do padastro consistente

de duas mulheres.

Adeus.



A luz imensa que nos tomava

era o anúncio da grande vida

e a chegada da perene realidade.



Jonh Wayne – nunca mais,

Big Bands silenciosas;

Gleen Miller nunca mais.

- Agora só torrada e café!



Passariam a tocar nosso futuro

Que a bem da verdade continuaria o mesmo:



Não fazer nada;

Procurar o que fazer

E quando alguma achar pra fazer,

Não fazer nada.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 28/05/2006
Código do texto: T164492
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel